A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou no dia 22 de abril reajuste médio de 12,11% nas tarifas da Energisa MS. O índice supera o percentual de 1,33% aplicado na tarifa de energia elétrica em 2025. As novas tarifas valem para consumidores atendidos pela concessionária em 74 municípios de Mato Grosso do Sul.
O reajuste foi definido após revisão tarifária da Energisa MS e considera diferentes classes de consumo. Consumidores residenciais enquadrados na baixa tensão (B1) terão reajuste de 11,75%. Pequenos comércios e serviços incluídos na média da baixa tensão terão percentual de 11,98%. Os consumidores de alta tensão, como indústrias e grandes empresas, terão reajuste médio de 12,39%.
A Aneel autorizou adiamento de custos tarifários de R$ 21 milhões após solicitação da Energisa MS. A medida reduziu o impacto imediato do reajuste aplicado nas tarifas de energia elétrica. O valor será redistribuído nos próximos reajustes tarifários da concessionária.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registra que a inflação acumulada em 12 meses é de 2,66% em Campo Grande. O reajuste da tarifa de energia elétrica ficou acima desse percentual. O aumento da tarifa de energia elétrica tem impacto maior no orçamento das famílias do que a variação média dos preços de produtos e serviços registrada no período.
O economista e professor do curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Odirlei Dal Moro afirma que o aumento da tarifa acima da inflação representa custos mais altos no setor elétrico e impacta outros setores da economia. "O reajuste da energia elétrica acima da inflação indica que você tem um curso de produção que tá crescendo consideravelmente acima da elevação média do nível de preços. Então, consequentemente, é um setor que está tendo que arcar com custos maiores para a produção da energia e consequentemente será repassado para outros setores da economia também".
Odirlei Dal Moro destaca que a energia elétrica integra a estrutura de custos de todas as atividades econômicas. "Em relação ao aumento da energia, é natural que quando há um aumento, isso seja repassado para todos os demais bens e serviços, uma vez que trata-se de um custo de produção e quando isso acontece, independente da atividade econômica, o preço ele se eleva. Os setores mais sensíveis ao aumento de energia geralmente são os setores industriais, que demandam muito da energia elétrica. Não obstante, o setor de serviços também demanda energia elétrica e consequentemente o custo maior vai afetar diretamente todos os setores".
A presidente do Conselho de Consumidores da Área de Concessão da Energisa MS (Concen-MS), Rosimeire Costa afirma que o reajuste impacta as famílias de baixa renda e renda média. “O que eu sempre ouço das famílias de renda média e baixa é que eles não têm mais onde cortar. Então não tem mais onde cortar porque de fato a energia está muito cara. Então não tem mais onde cortar porque de fato a energia está muito cara. Muitas famílias acabam precisando reorganizar o orçamento para conseguir manter o pagamento das contas básicas dentro de casa".
Rosimeire Costa afirma que o Conselho de Consumidores discutiu a solicitação de diferimento feita pela Energisa e que a medida reduziu o impacto imediato do reajuste sobre os consumidores residenciais. "Nós fizemos uma reunião a partir do momento em que a Energisa protocolou a carta solicitando um diferimento, que é o máximo permitido pela agência. Isso tirou um pouco do patamar, porque o grande mercado da Energisa é o consumidor residencial. 97% da carga dos atendimentos da Energisa são para o consumidor residencial. Então ele já estava com o impacto de 12,69. O diferimento de 21 milhões caiu para 11,75. E o que vai acontecer com o diferimento? É deixar de pagar esse ano para pagar no ano que vem. O que a gente espera é conseguir modular os impactos financeiros esse ano, a fim de que no ano que vem a gente possa estar nessa média de pelo menos um dígito, ou seja, não ultrapassar 9%, 10%".
A estudante do curso de Arquitetura e Urbanismo, da UFMS, Carolina Lopes avalia que percebeu mudança no valor da fatura de energia elétrica em casa. “Percebi uma pequena mudança, mas antes eu tinha um ar-condicionado só e agora eu tenho dois. Eu concentro o uso dos aparelhos no período da noite para tentar reduzir gastos, porque durante o dia eu estou na faculdade".
Rosimeire Costa ressalta que o debate sobre tarifas de energia também envolve a necessidade de equilíbrio entre a sustentabilidade do setor elétrico e o orçamento das famílias. “Se a gente tem que ter na regulação o equilíbrio econômico-financeiro das concessionárias, nós também temos que nos preocupar com o equilíbrio do orçamento familiar, porque a família não vive só de pagar a fatura de energia elétrica. Nós temos que ter uma mesa razoavelmente farta, uma qualidade de vida e um lazer, que é o mínimo que o trabalhador merece".
Veículo da Energisa em área urbana; concessionária terá reajuste tarifário nos próximos meses.
- (Foto: Ariane Vilharva)