Os afastamentos por transtornos mentais cresceram 70% em Mato Grosso do Sul, de 9 mil para 15 mil, entre os anos de 2024 e 2025. O Ministério Público do Trabalho (MPT-MS) registrou 98 denúncias de 2023 a 2025 de casos de adoecimento mental; 60 delas em 2025. As denúncias de violência e assédio psicológico feitas ao MPT-MS, no período de 2023 até setembro de 2025, somam 526 ao todo.

Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho de Mato Grosso do Sul divulgou dados que foram notificados 119 casos de transtornos mentais relacionados ao trabalho.  Aquidauana (39), Campo Grande (21) e Dourados (16) são os municípios com mais notificações. Portaria GM/MS Nº 1.999 publicada pelo Ministério da Saúde incluiu ansiedade, depressão, transtorno bipolar e transtornos associados a sobrecarga e esgotamento psicológico, como o Burnout como doenças ocupacionais. 

A advogada especialista em Direito Trabalhista, Jéssica Alves afirma que doenças ocupacionais estão previstas em lei e garantem direitos ao trabalhador. Segundo a advogada, empresas que descumprem essas garantias são responsabilizadas judicialmente. "O empregado entra com uma ação trabalhista, junto com o advogado, e o juiz vai fazer essa análise. As empresas não só podem ser responsabilizadas judicialmente, como nós temos agora uma parte da Justiça do Trabalho que obriga essas empresas a cuidarem da saúde mental dos seus funcionários, assim como elas cuidam da saúde física".

A jornalista Gabriela Porto destaca que "não tinha vida" e "vivia para o escritório". Gabriela Porto afirma que a rotina excessiva de trabalho afetou sua saúde mental. "Comecei a perder a vida, perder vitalidade, perder vontade, perder força, perder ânimo. Todas as vezes que eu chegava no escritório, já chegava chorando, tendo crises. Ficava cinco minutos dentro do escritório, já queria ir embora, já não suportava mais ficar ali dentro".

A jornalista afirma que o assédio moral praticado pelo chefe afetou seu comportamento no ambiente de trabalho. Gabriela Porto ressalta que fatores como a pressão psicológica e a alta demanda alteraram sua produtividade. "Eu tinha um chefe que era extremamente machista, extremamente grosseiro, então a proporção da cobrança dele vinha de um certo peso. Comecei a odiar a profissão que tinha escolhido, que sempre almejei e fiz de tudo para chegar onde eu tinha chegado. Esses problemas de não querer mais ir pra redação refletiam na minha equipe. A produtividade que eu tinha demonstrado até ali começou a cair”.

A psicóloga Giovana Guzzo Freire afirma que o tratamento para transtornos mentais deve ocorrer de forma multidisciplinar. Giovanna Guzzo ressalta que é importante estar atento aos sintomas fisicos e mentais. “Porque mesmo que tenha situações fisiológicas que precisam de atenção médica, a pessoa observa que ela anda numa tristeza muito profunda”.