O Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Human-UFMS/Ebserh), em Campo Grande, registra queda no volume de leite materno. O número de doadoras diminuiu 16,2%, de 931 para 780 mulheres, e a quantidade de atendimentos subiu de 452 para 585, com aumento de 29,4%. O volume de leite no estoque não atende a média de consumo diário de três litros.
Os bancos de leite de Mato Grosso do Sul estão localizados no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS/Ebserh), Hospital Regional, Santa Casa, Maternidade Cândido Mariano e Hospital Universitário Grande Dourados. O Humap-UFMS/Ebserh representa 14,3% do total de estoque do estado. O volume atende recém-nascidos e crianças na Unidade de Terapia Intensiva neonatal do hospital.
Dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) registram que o volume de leite materno do Human-UFMS/Ebserh se manteve estável, de 1.036,1 litros em 2024 para 1.104,1 litros em 2025. A enfermeira responsável pelo banco de leite do Humap-UFMS, Edilene Villalba dos Santos afirma que "a queda entre o número de doadores e aumento da demanda como um dos fatores que impactam na redução". O hospital é responsável pelo atendimento em casos de gestações de alto risco."Por isso que o nosso estoque está sempre no limite e permanece baixo. A conta não vai fechar".
Edilene Villalba atribui a redução no número de doadoras a falhas nas políticas públicas de incentivo ao aleitamento materno. Segundo Edilene Villalba, são necessárias a capacitação dos profissionais e a ampliação de recursos do estado. "Os gestores veem os bancos de leite como um gasto. Montar um banco de leite e ter profissionais para atender é na verdade um investimento, porque quando uma criança é amamentada, indiscutivelmente, ela fica menos tempo doente e, consequentemente, menos tempo internada; menos gastos para o sistema público de saúde".
A nutricionista responsável pelo Banco de Leite da Santa Casa, Isabella Santana Tozzi destaca que fatores emocionais e clínicos interferem na produção de leite das mulheres. A nutricionista afirma que situações de estresse, cansaço físico e emocional, mudanças hormonais do puerpério como alguns dos fatores de impacto direto na produção; especialmente entre mães de bebês internados por longos períodos. Segundo Isabella Tozzi, a doação garante o abastecimento diário, e o volume disponível atende de forma contínua a demanda dos recém-nascidos internados.
A bancária Patrícia Vendas, doadora, afirma que o interesse pela doação de leite materno surgiu durante a primeira gravidez e se manteve na segunda gestação. Patrícia Vendas afirma que ouviu relato de mães com problemas na produção de leite, que precisaram aderir ao uso de fórmulas. “Eu vi uma campanha na TV e como eu sempre tive muito leite, resolvi doar. Sempre achei que é uma ajuda tão simples. É mais fácil do que doar sangue, não fura nada. O leite geralmente dá e sobra” .
Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian registra queda no volume de leite materno
- (Foto: Ana Lorena Franco)