As universidades Federal e Estadual de Mato Grosso do Sul (UFMS e UEMS) regulamentaram orientação administrativa para o uso ético e responsável de Inteligência Artificial (IA) para a comunidade acadêmica. As duas universidades implantaram manuais para uso da IA como recurso de aprendizagem desde janeiro de 2026. As novas diretrizes estabelecem critérios de uso ético da tecnologia em trabalhos acadêmicos, pesquisas e atividades de ensino.
A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) foi a primeira universidade no estado a regulamentar a tecnologia de Inteligência Artificial (IA) no ambiente acadêmico, que prevê punições em casos de descumprimento das normas. A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) iniciou, neste ano, a elaboração das diretrizes internas de uso de IA de caráter pedagógico, orientativo e sem punições. O Conselho Universitário da UFMS regulamentou o monitoramento da comunidade acadêmico no uso da IA.
A diretora de Informática da UEMS e membro do Conselho Universitário (Coun), Vanessa Weber afirma que o comitê administrativo com a comunidade acadêmica desenvolveram um guia próprio com o objetivo de orientar o uso da IA. “A proposta é ajudar alunos, professores e pesquisadores. Além disso, o guia está em constante construção, visto que a IA está sempre em evolução”.
Segundo a diretora Vanessa Weber, a tecnologia é manuseada no Laboratório de Inteligência Artificial Aplicada, responsável pela startup Kerow, que usa IA para ajudar os pecuaristas na contagem e pesagem de animais. “A gente usa a IA para atividades que para o ser humano às vezes é comum, mas para o computador não é, por exemplo, identificar uma pessoa ou um bovino, se o boi tem baixo peso ou peso ideal, se um óvulo que vai ser implantado numa vaca é o melhor e a classificação dele”.
A diretora da Faculdade de Computação (FACOM) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Liana Duenha afirma que o Conselho Universitário exige o monitoramento do uso da IA, a partir da Declaração de Uso Responsável pelo aluno nas atividades pedagógicas. Segundo a diretora, a automação de tarefas repetitivas e a busca de referências bibliográficas são possibilidades de utilização da tecnologia. “A universidade não pode ficar de fora dessa discussão. Regulamentar não é limitar, mas definir de que maneira a inteligência artificial pode ser usada de forma eficiente e benéfica para alunos e professores”.
A estudante do curso de Letras da UFMS, Sara Sommer afirma que os professores orientam os alunos sobre o uso de tecnologias de inteligência artificial em atividades acadêmicas.“A gente é incentivado a usar a IA como ferramenta para facilitar o trabalho, como em gráficos, mas não como substituta da nossa escrita. Eles pedem para listar o que foi usado e de que forma”. Sara Sommer afirma que desconhecia os manuais institucionais da universidade. “Nós não recebemos o manual, pelo menos até mim não chegou. Seguimos mais as orientações dos professores. Acho que deveria ter uma comunicação mais eficiente, quem sabe uma assembleia ou algo do tipo”.
O Estrategista em Tecnologias Emergentes e IA, Kenneth Corrêa afirma que o letramento digital deve ser constante para busca avançada em literatura científica e a IA desde que haja a checagem das fontes. “A tecnologia da IA generativa não faz nem quatro anos, é realmente muito nova e a gente tem que tratar a IA como uma fonte de conhecimento e entendendo as limitações dela e acompanhando criticamente o que está sendo usado”. Corrêa recomenda o uso das inteligências Perplexity.AI e Notbook.LM, para pesquisa e aprendizado dos acadêmicos. “Essas leis adjacentes no sentido do mundo real vêm sendo discutidas para o mundo digital e a gente vê o caminho da educação no sentido de aberturas democráticas, afinal, o acesso é público”.
UFMS e UEMS normatizam o uso de IA para a comunidade acadêmica
- (Foto: Marianne Amorim)