O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) contabilizou o décimo morcego com raiva em Campo Grande no dia 7 de maio. O CCZ recolheu mais de 550 morcegos desde janeiro deste ano. O centro da cidade é a região onde foram notificados mais casos, com três registros.

Os dez casos concentram-se nas regiões de Anhanduizinho, Bandeira, Centro e Prosa. Os bairros Vivenda do Bosque, Santa Fé, Jardim Campo Alto, Pioneiros, São Francisco, Jardim Bela Vista e Jardim Ouro Preto registraram um caso cada. O CCZ registrou onze casos em 2025.

Segundo a professora do curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Juliana Galhardo o vírus tem sazonalidade em períodos quentes, como verão e primavera, o aquecimento global altera o cenário. “Temos que levar em consideração que estamos numa fase de mudanças climáticas, então pode ser que com as variações dessas temperaturas médias, de primavera, verão, outono, inverno, tenhamos cada vez mais invernos quentes. E se pegarmos a série histórica dos dados do CCZ, realmente esperam-se casos o ano todo”.

Juliana Galhardo afirma que o aumento dos casos durante o ano decorre das notificações da população. "O que tem acontecido recentemente, é que as pessoas estão sensibilizadas, então elas têm comunicado o CCZ para fazer o recolhimento desses animais que caem [os morcegos]". A professora destaca que as notificações recebidas pelo CCZ auxiliam na vigilância. 

A contadora Edna Maria Massuolo Elias, 58 anos, destaca que "viu um morcego caído e ligou para o CCZ. Na situação, o homem matou o animal, falei que não podia ter agido dessa forma, pois [o animal] poderia estar doente, já que estava andando no chão”. Matar morcegos e animais silvestres é crime. As punições são regulamentadas pelas leis federais nº 9.605/1998,  Lei de Crimes Ambientais, e nº 5.197/1967,  Lei de Proteção à Fauna, que tipificam os crimes e estabecem as multas.

A médica veterinária do CCZ, Maria Aparecida Conche informa que o CCZ coleta morcegos a partir das notificações da população. "Do dia primeiro de janeiro de 2026 até o dia de hoje [10 de abril], já foram recolhidos 453 morcegos e cinco apresentaram resultado positivo para o vírus da raiva." Os animais são recebidos pelo CCZ e encaminhados à Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), que realiza testes laboratoriais para a detecção do vírus. 

Como identificar os sintomas  

A professora de medicina veterinária, Juliana Galhardo explica que o vírus da raiva tem período de incubação de 15 a 45 dias em animais domésticos, como cães e gatos. "Os primeiros sinais clínicos, vão estar relacionados a comportamento. Por exemplo, se era um bichinho que tava bem carinhoso, agora ele passou a se esconder, já não quer mais brincar". A professora destaca que as manifestações mais graves são a cegueira, a movimentação em círculo e a agressividade, semelhantes a outra doença comum nos animais, a cinomose

Juliana Galhardo informa que, com os sintomas, o tutor deve levar os animais ao veterinário. “É sempre ficar atento às notícias do próprio CCZ, [...] eles sempre avisam em regiões onde teve morcego positivo, quando tem morcego positivo na região, eles orientam todo o entorno”. De acordo com a professora Juliana Galhardo, a principal profilaxia é a vacinação anual antirrábica nos cães e gatos.

Serviço

Centro de Controle de Zoonoses (CCZ)

Horário:
Segunda-feira à sexta-feira, das 7h00 às 21h00
Sábado, domingo ou feriado, das 6h00 às 22h00

Contato:
Segunda-feira à sexta-feira, das 7h00 às 17h00 – (67) 2020 - 1801 ou (67) 2020 - 1789
Segunda-feira à sexta-feira, das 17h00 às 21h00, sábado, domingo ou feriado, das 06h00 às 22h00 –  (67) 2020 - 1794 

Local:
Avenida Senador Filinto Müller, 1601 - Vila Ipiranga