aumento no consumo do medicamento Metilfenidado, popularmente conhecido como Ritalina. Indicado como primeira escolha no tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, TDAH, a Ritalina é um estimulante que age no sistema nervoso central, e é amplamente utilizado para a melhoria do desempenho cognitivo de crianças e adolescentes, comumente chamado de “droga da obediência”.
Campo Grande apresentou um aumento de 228% no percentual de consumo. E segundo um dos responsáveis pela Gerência Técnica de Medicamentos da Coordenadoria Estadual de Vigilância Sanitária de Mato Grosso do Sul, Adam Macedo Adami, o estado apresentou aumento percentual de 60,9%, o maior aumento da região Centro-Oeste.
A Anvisa alerta que houve um crescimento no consumo de metilfenidato no país, que varia durante os períodos do ano. Há destaque na redução do consumo nos meses de férias e um aumento no segundo semestre dos anos letivos, e direciona atenção especial para o possível abuso por estudantes não portadores de TDAH.
O professor de farmacologia clínica dos cursos de graduação e pós-graduação da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Paulo Haidamus, explica que por fazer parte da classe das anfetaminas o medicamento traz alguns efeitos colaterais que devem ser observados, principalmente quanto ao uso feito por crianças. “O risco é muito grande, é uma droga que costuma causar efeitos colaterais, desde agitações, náuseas, anorexias”. Ainda segundo ele, o uso continuado pode causar dependência, além de ser perigoso quando interage, por exemplo, com outro tipo de medicamento, como antidepressivos ou alguma droga estimulante do sistema nervoso central.
Paulo Haidamus explica que esse tipo de “trapaça” ocorre devido ao estímulo causado no sistema nervoso central, que causa uma melhora cognitiva. Mas alerta: “Houve um tempo que a prescrição foi muito grande e por ser uma droga controlada há necessidade de retenção de receita, receita tipo azul. É uma droga que traz preocupações”.
Para o estudante de Engenharia Civil, Lucas Casaril, portador de TDAH, a maior dificuldade em ficar sem o medicamento é a perda de concentração durante os estudos ou durante as aulas. Por ser muito forte e seguir recomendação médica, Casaril não tomava Ritalina todos os dias. “Uma coisa sobre o remédio tem que ser dita: quando eu tomo e vou estudar qualquer matéria que envolva contas ou lógica, parece que estou usando trapaça. É como se você possuísse um carro 1.0, colocasse uma gasolina boa e o motor dele virasse um V8 5.7", afirma ele.
De três redes de farmácias consultadas na cidade de Campo Grande, somente uma delas pediu a receita logo que o medicamento foi solicitado, as outras duas somente afirmaram estar fora de estoque. “É muito comum em época de provas as pessoas procurarem o medicamento. Conheço alguns que já tomaram, comprado no Paraguai, e sabemos que a procedência, nesses casos, pode ser duvidosa. Tem dois tipos de Ritalina, a de ação lenta, que dura um dia inteiro e a "normal". O mais comum para os estudantes é tomar o normal por dois motivos: maior facilidade de encontrar, e o preço relativamente baixo em relação ao de ação lenta”, explica Casaril.
Para Haidamos, Campo Grande tem algumas peculiaridades no consumo de algumas drogas. Ele afirma que a cidade é uma das capitais que mais utiliza medicamentos para controle de apetite, por exemplo, proibidas pela Anvisa, e agora foi posicionada com relação ao uso do metilfenidato. Na opinião dele isso é uma questão de cultura e de comportamento. Explica que é difícil ter um motivo específico do porquê a população se comporta com o uso maior de tais drogas. “Funciona como um modismo”, diz ele, já que as pessoas influenciam umas ás outras a utilizarem os medicamentos por diferentes razões.
https://soundcloud.com/izasanchez/entrevista-paulo-haidamus
Izabela Sanchez
Um alerta emitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa, aponta Campo Grande como a terceira cidade com o maior
aumento no consumo do medicamento Metilfenidado, popularmente conhecido como Ritalina. Indicado como primeira escolha no tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, TDAH, a Ritalina é um estimulante que age no sistema nervoso central, e é amplamente utilizado para a melhoria do desempenho cognitivo de crianças e adolescentes, comumente chamado de “droga da obediência”.
Campo Grande apresentou um aumento de 228% no percentual de consumo. E segundo um dos responsáveis pela Gerência Técnica de Medicamentos da Coordenadoria Estadual de Vigilância Sanitária de Mato Grosso do Sul, Adam Macedo Adami, o estado apresentou aumento percentual de 60,9%, o maior aumento da região Centro-Oeste.
A Anvisa alerta que houve um crescimento no consumo de metilfenidato no país, que varia durante os períodos do ano. Há destaque na redução do consumo nos meses de férias e um aumento no segundo semestre dos anos letivos, e direciona atenção especial para o possível abuso por estudantes não portadores de TDAH.
O professor de farmacologia clínica dos cursos de graduação e pós-graduação da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Paulo Haidamus, explica que por fazer parte da classe das anfetaminas o medicamento traz alguns efeitos colaterais que devem ser observados, principalmente quanto ao uso feito por crianças. “O risco é muito grande, é uma droga que costuma causar efeitos colaterais, desde agitações, náuseas, anorexias”. Ainda segundo ele, o uso continuado pode causar dependência, além de ser perigoso quando interage, por exemplo, com outro tipo de medicamento, como antidepressivos ou alguma droga estimulante do sistema nervoso central.
Paulo Haidamus explica que esse tipo de “trapaça” ocorre devido ao estímulo causado no sistema nervoso central, que causa uma melhora cognitiva. Mas alerta: “Houve um tempo que a prescrição foi muito grande e por ser uma droga controlada há necessidade de retenção de receita, receita tipo azul. É uma droga que traz preocupações”.
Para o estudante de Engenharia Civil, Lucas Casaril, portador de TDAH, a maior dificuldade em ficar sem o medicamento é a perda de concentração durante os estudos ou durante as aulas. Por ser muito forte e seguir recomendação médica, Casaril não tomava Ritalina todos os dias. “Uma coisa sobre o remédio tem que ser dita: quando eu tomo e vou estudar qualquer matéria que envolva contas ou lógica, parece que estou usando trapaça. É como se você possuísse um carro 1.0, colocasse uma gasolina boa e o motor dele virasse um V8 5.7", afirma ele.
De três redes de farmácias consultadas na cidade de Campo Grande, somente uma delas pediu a receita logo que o medicamento foi solicitado, as outras duas somente afirmaram estar fora de estoque. “É muito comum em época de provas as pessoas procurarem o medicamento. Conheço alguns que já tomaram, comprado no Paraguai, e sabemos que a procedência, nesses casos, pode ser duvidosa. Tem dois tipos de Ritalina, a de ação lenta, que dura um dia inteiro e a "normal". O mais comum para os estudantes é tomar o normal por dois motivos: maior facilidade de encontrar, e o preço relativamente baixo em relação ao de ação lenta”, explica Casaril.
Para Haidamos, Campo Grande tem algumas peculiaridades no consumo de algumas drogas. Ele afirma que a cidade é uma das capitais que mais utiliza medicamentos para controle de apetite, por exemplo, proibidas pela Anvisa, e agora foi posicionada com relação ao uso do metilfenidato. Na opinião dele isso é uma questão de cultura e de comportamento. Explica que é difícil ter um motivo específico do porquê a população se comporta com o uso maior de tais drogas. “Funciona como um modismo”, diz ele, já que as pessoas influenciam umas ás outras a utilizarem os medicamentos por diferentes razões.
https://soundcloud.com/izasanchez/entrevista-paulo-haidamus
Izabela Sanchez
aumento no consumo do medicamento Metilfenidado, popularmente conhecido como Ritalina. Indicado como primeira escolha no tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, TDAH, a Ritalina é um estimulante que age no sistema nervoso central, e é amplamente utilizado para a melhoria do desempenho cognitivo de crianças e adolescentes, comumente chamado de “droga da obediência”.
Campo Grande apresentou um aumento de 228% no percentual de consumo. E segundo um dos responsáveis pela Gerência Técnica de Medicamentos da Coordenadoria Estadual de Vigilância Sanitária de Mato Grosso do Sul, Adam Macedo Adami, o estado apresentou aumento percentual de 60,9%, o maior aumento da região Centro-Oeste.
A Anvisa alerta que houve um crescimento no consumo de metilfenidato no país, que varia durante os períodos do ano. Há destaque na redução do consumo nos meses de férias e um aumento no segundo semestre dos anos letivos, e direciona atenção especial para o possível abuso por estudantes não portadores de TDAH.
O professor de farmacologia clínica dos cursos de graduação e pós-graduação da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Paulo Haidamus, explica que por fazer parte da classe das anfetaminas o medicamento traz alguns efeitos colaterais que devem ser observados, principalmente quanto ao uso feito por crianças. “O risco é muito grande, é uma droga que costuma causar efeitos colaterais, desde agitações, náuseas, anorexias”. Ainda segundo ele, o uso continuado pode causar dependência, além de ser perigoso quando interage, por exemplo, com outro tipo de medicamento, como antidepressivos ou alguma droga estimulante do sistema nervoso central.
Paulo Haidamus explica que esse tipo de “trapaça” ocorre devido ao estímulo causado no sistema nervoso central, que causa uma melhora cognitiva. Mas alerta: “Houve um tempo que a prescrição foi muito grande e por ser uma droga controlada há necessidade de retenção de receita, receita tipo azul. É uma droga que traz preocupações”.
Para o estudante de Engenharia Civil, Lucas Casaril, portador de TDAH, a maior dificuldade em ficar sem o medicamento é a perda de concentração durante os estudos ou durante as aulas. Por ser muito forte e seguir recomendação médica, Casaril não tomava Ritalina todos os dias. “Uma coisa sobre o remédio tem que ser dita: quando eu tomo e vou estudar qualquer matéria que envolva contas ou lógica, parece que estou usando trapaça. É como se você possuísse um carro 1.0, colocasse uma gasolina boa e o motor dele virasse um V8 5.7", afirma ele.
De três redes de farmácias consultadas na cidade de Campo Grande, somente uma delas pediu a receita logo que o medicamento foi solicitado, as outras duas somente afirmaram estar fora de estoque. “É muito comum em época de provas as pessoas procurarem o medicamento. Conheço alguns que já tomaram, comprado no Paraguai, e sabemos que a procedência, nesses casos, pode ser duvidosa. Tem dois tipos de Ritalina, a de ação lenta, que dura um dia inteiro e a "normal". O mais comum para os estudantes é tomar o normal por dois motivos: maior facilidade de encontrar, e o preço relativamente baixo em relação ao de ação lenta”, explica Casaril.
Para Haidamos, Campo Grande tem algumas peculiaridades no consumo de algumas drogas. Ele afirma que a cidade é uma das capitais que mais utiliza medicamentos para controle de apetite, por exemplo, proibidas pela Anvisa, e agora foi posicionada com relação ao uso do metilfenidato. Na opinião dele isso é uma questão de cultura e de comportamento. Explica que é difícil ter um motivo específico do porquê a população se comporta com o uso maior de tais drogas. “Funciona como um modismo”, diz ele, já que as pessoas influenciam umas ás outras a utilizarem os medicamentos por diferentes razões.
https://soundcloud.com/izasanchez/entrevista-paulo-haidamus
Izabela Sanchez