Aumenta oferta de bolsas de intercâmbio na UFMS

[caption id="" align="alignleft" width="280"] Aproximadamente 50 alunos da UFMS irão participar de mobilidade acadêmica em 2013[/caption]

 A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), nos últimos três anos, intensificou a política de mobilidade acadêmica internacional. Segundo o coordenador de Relações Internacionais da UFMS, Edson Cáceres, aumentou o numero de alunos que saem para intercâmbio internacional, antes este número era menor ou igual a dez. “Neste ano acreditamos que iremos mandar mais de 50 alunos para estudar no exterior”, afirmou.

De acordo com Cáceres, a política de ênfase de mobilidade acadêmica foi estimulado pela Reitora, a professora Célia Maria Silva. Ele enfatiza que o número de alunos que saem para intercambio ainda é pequeno, e um dos problemas é o idioma. "Há um esforço tanto da UFMS, quanto do Governo Federal para capacitar os alunos em línguas estrangeiras”, ressaltou.

A estudante do 7º semestre de Análise de Sistemas, Rebecca Alves é uma das alunas selecionadas pelo programa Ciências sem Fronteiras. Ela irá para a Columbia College, em Missouri, Estados Unidos, onde realizará curso de inglês por seis meses, e depois, cursará disciplinas da área de Análises de Sistemas.  A aluna Alves disse que não teve problemas para entrar em contato com a instituição de destino, no entanto, ressaltou que teve dificuldades com o idioma.

[caption id="" align="alignright" width="320"] Aluno de intercâmbio do Paraguai, Guido Gabriel Spinola[/caption]

 O estudante paraguaio do curso de Engenharia Comercial, Guido Gabriel Spinola,  intercambista pelo Programa Mobilidad Mercosur (PMM) , comentou que também teve dificuldades com o idioma. “Tive problemas para entrar em contato com a UFMS, então conversei com Flávia Paiva, secretaria de Relações Internacionais, que me deu o suporte necessário. Mesmo assim, a comunicação com o coordenador do meu curso foi terrível, ele não soube me informar as disciplinas que seriam ofertadas e disse que era difícil falar comigo por causa do idioma”.

O aluno Gabriel acrescentou que teve problemas para realizar a matricula. "Só consegui me matricular no final de maio, pois o coordenador disse que eu precisava de documentações brasileiras. Então, tive que voltar para o Paraguai na Embaixada do Brasil para fazer as documentações, e ainda assim o coordenador não me inscreveu, pois já havia passado a data de inscrição. Depois da intervenção do coordenador Edson Cáceres, que consegui resolver o problema”, explicou.

De acordo com Cáceres, quando alunos estrangeiros chegam a UFMS é realizado uma reunião para orientações gerais, como tramite legal e obtenção de vistos aqui no Brasil. Em relação aos coordenadores, “algumas vezes, estes não possuem muitas informações do programa de intercâmbio. Então, direcionamo-los  para a reitoria de ensino para que se informar dos procedimentos administrativos que necessita  tomar em relação ao aluno e os documentos que devem ser emitidos”, afirmou.

O professor e coordenador do curso de Jornalismo da UFMS, Silvio Pereira, salientou que as dificuldades que a instituição tem na área de mobilidade acadêmica, outras universidades do país também as possui. “Esse processo é lento, por características da instituição pública. E também, é necessário compreender que temos outras atividades, lecionamos, temos projetos de pesquisa, extensão, outras questões administrativas, além da mobilidade acadêmica, não tem como resolver as coisas em uma semana".

 Com o aumento da quantidade de alunos que saem para intercâmbio, Cáceres lembra que há elementos que são novos para a administração, que no momento realiza os ajustes necessários. “Uma das expectativas é que nossas estruturas curriculares e projetos pedagógicos passem por um aprimoramento. É um ajuste que depende de todo o conjunto, professores, colegiados, conselhos e a administração”, analisou.

O método de ensino e as estruturas curriculares dos cursos da UFMS são novidades para os alunos intercambistas que chegam à instituição. O estudante Gabriel observa que o método de avaliação é muito distinto; "no Paraguai há uma estrutura de avaliação base para todas as matérias, no qual temos trabalhos escritos, práticos e o exame final, aqui no Brasil os professores decidem como avaliar”.

O estudante uruguaio de psicologia, e bolsista do PMM, Fabián Sierra diz que se surpreendeu com as diferenças no método de ensino e de como esta estruturado o espaço físico, que possibilita reunir no mesmo lugar estudantes de vários cursos. “No Uruguai isso não existe, cada faculdade tem o seu edifício, os estudantes de cada curso ficam separados”. Ele acrescenta que o intercâmbio possibilita fortalecer os vínculos entre as diferentes universidades. Além disso, abre-se vínculos no sentido acadêmico. “Quando vim para cá participei de cursos, congressos entre outros, e também, passei informações de eventos no Uruguai para os meus colegas”.

O coordenador Cáceres, ressalta que a experiência de mobilidade acadêmica internacional possibilita ao aluno conhecer outra realidade, uma nova estrutura educacional, além, de ampliar a rede de relacionamentos. “Na medida em que se amplia esta rede de relacionamentos, criam-se outras oportunidades e amplia os conhecimentos. Estes alunos fazem parte de um grupo que mais tarde estarão no âmbito cientifico social, político, trabalhando para uma sociedade melhor. Isso é fundamental para o desenvolvimento do Brasil que é um país continental e tem aspirações de ser um dos principais líderes mundiais”, conclui.

Confira a entrevista com o estudante uruguaio Fabián Sierra que relata sua experiência de intercâmbio.

http://www.youtube.com/watch?v=Fm3qfT522sk&feature=youtu.be

 Programas de Intercâmbio

 A UFMS possui convênio com várias instituições e órgãos para a promoção de mobilidade acadêmica internacional. Entre eles está o Ciência sem Fronteiras, que concedeu a UFMS 101 bolsas de estudos, a maioria destinada para as áreas de engenharias e tecnologias.  O objetivo do programa é investir na formação pessoal altamente qualificado, aumentar a presença de pesquisadores e estudantes de vários níveis em instituições de excelência no exterior; promover a inserção internacional das instituições brasileiras pela abertura de oportunidades semelhantes para cientistas e estudantes estrangeiros entre outros.

[caption id="" align="alignnone" width="774"] Fonte: Ciência sem Fronteiras[/caption]

Há, também, o Programa Mobilidad Mercorsur  (PMM), financiado pela União Europeia e pelo MERCOSUL, que teve sua versão piloto lançado em 2012.  No ano passado seis alunos da UFMS participaram do programa. Segundo o coordenador das Relações Internacionais, Edson Cáceres, o PMM  foi aprovado pelo MERCOSUL, e conforme as informações que  recebeu, o governo brasileiro  mostrou interesse para que o programa fosse implementado.

Outro programa que a universidade é parceira é o Erasmus, financiado pela União Europeia. Recentemente foi enviado um projeto para participação no Erasmus Mundus,  no entanto a proposta está em análise.

O Programa Licenciatura Internacional (PLI) é outra modalidade de intercâmbio. Neste programa podem participar alunos de licenciatura, no qual, metade do curso será realizado no Brasil e a outra metade no exterior. Os países de destino são Portugal e França.

 Segundo Cáceres, “este programa é muito importante, pois  na UFMS há uma quantidade significativa de cursos de licenciatura; e atualmente a Relações Internacionais e a Pró Reitoria de Ensino e Graduação analisam um novo projeto para submeter no próximo ano.

 Alline Gois
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