Inquérito policial autoriza o rastreamento dos computadoresCrédito: Lucas Pellicioni[/caption] Mariana de Souza Rodrigues, nome fictício para preservar a idade da vítima, de 18 anos procurou a Polícia Civil de Bela Vista, a 324 km de Campo Grande, para registrar um boletim de ocorrência por ameaça de injúria, difamação e exposição na web. Em relato à polícia, ela disse que o ex-namorado de 30 anos não aceitava o fim do relacionamento e ameaçava postar um vídeo íntimo do casal na internet. Segundo informações do delegado Wellington Oliveira, além de registrar um boletim de ocorrência, a vítima precisa representar contra o autor, ou seja procurar um advogado para tratar do caso. Após esse processo, a polícia apura particularidades do crime, como por exemplo se é tratado na lei Maria da ou se envolve adolescente. " Mas independente do caso precisa de representação [da ação judicial] para abrir o inquérito", explica. Sem a presença de um profissional para agir em nome da vítima, o boletim de ocorrência funciona apenas como um registro preventivo. Ana Paula de Oliveira, nome fictício para preservar a identidade da vítima, de 24 anos foi vítima de publicações negativas na internet. Segundo ela, após o término de um relacionamento de dois anos, o ex-namorado criou um blog para difamá-la. “O blog era o que ele chamava de diário sobre mim e sobre a pessoa que eu realmente era. Coisas horríveis foram ditas sobre mim e pessoas que eu amo. Ele se identificou todo tempo e me mandou vários e mails, que agora eu me via obrigada a ler, dizendo que se eu voltasse para ele tudo aquilo acabaria”, lembrou. Ainda conforme o relato de Ana Paula, dias depois da criação da página, muitas pessoas entraram em contato com ela. “Eu sentia um misto de vergonha e medo. Para tentar resolver a situação, meu pai conversava com ele. Mas eu não queria ouvir nada vindo dele. Ele justificava dizendo que estava se vingando por eu terminar o namoro, que eu não podia ter feito isso com ele”, disse. Ela conseguiu resolver a situação sem a intervenção policial. “Depois de muita conversa, ele excluiu o blog", disse. A advogada Jane Resina Marcon, especialista em direito digital, comenta sobre as atitudes que devem ser tomadas em casos de crimes cibernéticos. http://soundcloud.com/primeiranot-cia/crimesciberneticos Com a identificação do suspeito os resultados da investigação são mais rápidos. De acordo com o delegado, quando não se trata da lei Maria da Penha, o caso é encaminhado para o juizado e tratado como crime de menor potencial ofensivo. Quando há um envolvimento entre a vítima e o acusado e violência física, as punições são mais severas Maressa Mendonça (repórter) Fabiane Neiva (editora) Lucas Pellicioni (fotógrafo) Nayara Agostinho (repórter)