Reportagem e fotos: Heloísa Garcia Edição: Vanessa Albuquerque Brasília recebeu, no sábado, dia 15 de junho, o jogo de abertura da Copa das Confederações. Após anos de preparação, obras – e revisões no orçamento, sempre para cima – o tão aguardado  evento havia chegado. Mas, festa mesmo, só para os 70 mil sortudos que conseguiram os ingressos. [caption id="attachment_1943" align="alignleft" width="240"]Obras no Aeroporto de Brasília Obras no Aeroporto de Brasília. Foto: Heloísa Garcia.[/caption] Para os outros 3 milhões de moradores da capital federal, a Copa só atrapalhou o cotidiano. Dezenas de ruas bloqueadas, trânsito caótico, obras ainda não concluídas e aumento de 23% no fluxo de turistas no aeroporto, com uma estimativa de 153 mil pessoas a mais na cidade entre os dias 14 e 15 de junho, segundo a concessionária que administra o aeroporto da capital. E o descontentamento com o montante de dinheiro gasto com o Estádio Nacional de Brasília era geral. O taxista Raimundo Severino, de 53 anos, reclama  "mais de 1,5 bilhão de reais gastos na reforma de um estádio que, em breve, vai virar um ‘elefante branco’ (obra grande e inútil). Enquanto isso, falta até esparadrapo nos postos de saúde”. Para o bancário José Newton Moraes, o trânsito era o pior efeito do jogo. “Quase todas as ruas em um raio de 5km do estádio sofreram alteração no tráfego. E o limite para chegar de carro é de 3km de distância dos portões. Minha filha, que usa uma prótese na perna direita, sofreu muito para caminhar até a entrada”, reclama ele. Desde o aeroporto, era possível verque muitas obras ainda estavam em andamento. No estádio, rampas desniveladas e banheiros respingados de tinta denunciavam a pressa em terminar a reforma. O assistente de engenharia Marcos Fernandes observa "a impressão que fica é ‘maquiaram’ muita coisa para os turistas não verem”. Até mesmo o caminho utilizado para chegar ao local do jogo foi alterado. O gerente de logística de uma empresa de telefonia, Paulo Sérgio Grippa, denuncia “o trajeto mais fácil do setor de hotéis norte até o Estádio Nacional passa por uma favela, onde há muitos moradores de rua. Mas para não mostrar que existe pobreza na cidade, o Detran bloqueou a passagem por lá, desviando a rota para um local mais bonito”. Manifestações A mídia brasileira e internacional compareceu em grande número para acompanhar a abertura da Copa das Confederações. E os manifestantes não perderam a oportunidade de demonstrar a insatisfação com o uso de dinheiro público para financiar as obras para o evento no país. Quem deixou para entrar mais tarde no estádio sofreu as consequências. Os manifestantes entraram em choque com a polícia, e bombas de gás foram lançadas para dispersar os protestantes. O confronto atrasou a abertura dos portões, e filas se formaram. Centenas de torcedores não conseguiram chegar aos seus assentos a tempo de assistir a cerimônia de abertura. Confira abaixo o vídeo da chegada da passeata de protesto ao Estádio Nacional: http://www.youtube.com/watch?v=5EY0WtfYKeU Dentro do estádio, também ocorreram protestos. O presidente da FIFA, Joseph Blatter, e a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, foram vaiados em suas falas. Desconcertado, Blatter ainda perguntou  "onde estão a educação e o  fair play (jogo justo) de vocês?”. [caption id="attachment_1941" align="alignleft" width="240"]Tabela de preços dentro do estádio Tabela de preços dentro do estádio. Foto: Heloísa Garcia.[/caption] Preços abusivos Dentro do estádio, os problemas eram outros. Quem estava com fome precisou desembolsar R$7 para comprar um pacote de salgadinhos. O mesmo produto pode ser comprado por R$3 nos mercados varejistas. Os hot-dogs, apesar de anunciados desde o começo do jogo, só foram comercializados no intervalo. A cerveja mais barata custava R$9, e a mais cara, R$12. Do lado de fora, era possível comprar as mesmas latas por R$5 e R$6, respectivamente. Quem foi em grupo, mas comprou os ingressos em cartões de créditos separados, enfrentou outro transtorno, já que não era possível escolher os assentos. Ou seja, muita gente assistiu ao jogo longe da família e dos amigos. Partida Apesar de todos os problemas, a seleção brasileira não decepcionou na estreia contra o Japão. Com gols de Neymar, Paulinho e Jô, os jogadores fizeram bonito, passando pelo time nipônico sem maiores dificuldades. A torcida presente encheu os olhos dos expectadores mundo afora, comparecendo uniformizada e animada. [caption id="attachment_1944" align="aligncenter" width="300"]Início da partida entre Brasil e Japão. Foto: Heloísa Garcia Início da partida entre Brasil e Japão. Foto: Heloísa Garcia[/caption] Reportagem e fotos: Heloísa Garcia Edição: Vanessa Albuquerque