Os temporais que atingiram Campo Grande causaram a queda de árvores em diferentes pontos da cidade, que resultou no bloqueio de diversas vias e danos em cabos elétricos e imóveis. A Prefeitura de Campo Grande decretou situação de emergência devido à intensidade dos ventos, que chegaram a 90 km/h. 

Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registraram 19,6 milímetros de chuva durante o temporal. A Defesa Civil registrou 725 chamados estragos provocados pelas tempestades. As quedas de árvores e galhos correspondem à maior parte dos registros, com 654 casos, equivalentes a 90,2% do total.

A professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e doutora em Ecologia, Adriana Takahashi destaca que árvores em áreas urbanas têm maior possibilidade à queda. “A árvore, na cidade, está vivendo sob estresse. Ela está em um ambiente com o solo bastante compactado, exposta a poluentes e a toda uma ação mecânica. Muitas vezes, recebe poucos nutrientes porque, depois que nós plantamos uma árvore, praticamente não ajudamos mais essa planta. Todas essas condições adversas podem fazer com que ela fique mais suscetível à queda”. 

Segundo a gerente de Arborização da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semades), Dayane Zanella os auditores fiscais ambientais realizam vistorias e avaliam as condições das árvores. As equipes da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) são responsáveis pelos serviços de poda e retirada de árvores em áreas públicas.

Dayane Zanella ressalta que a escolha das espécies e as condições do local são fatores importantes para o manejo adequado da arborização urbana. “A prevenção começa ainda no planejamento do plantio. É preciso considerar as espécies recomendadas, o porte da árvore adulta, o desenvolvimento das raízes e da copa e as características do local. Essas medidas reduzem conflitos futuros e a necessidade de intervenções drásticas. A produção e o plantio de mudas, priorizando espécies adequadas e adaptadas ao ambiente urbano e, em grande parte, nativas do bioma Cerrado, também fazem parte dessa estratégia”.  Segundo Dayane Zanella, a aparência saudável de uma árvore não garante que ela esteja livre de problemas internos ou subterrâneos. As equipes da Semades realizam a fiscalização das condições da arborização na Capital e analisam fatores como estabilidade, estado fitossanitário, condições do solo, desenvolvimento das raízes e interferências com estruturas urbanas. 

O jornalista João Buchara teve a casa onde morava atingida pela queda de uma árvore no bairro Jardim das Nações. Os danos atingiram diferentes cômodos da residência. “Depois que a gente perdeu tudo, eu tive que dar uma pausa no processo do TCC porque percebi que não conseguiria terminar a faculdade com tudo aquilo acontecendo. Eu e minha namorada ficávamos migrando de casa em casa. Por um tempo, a gente dormiu na casa do primo dela, depois fomos para a casa da irmã dela. Por fim, ela resolveu ficar por lá e, como eu precisava terminar minha graduação e concluir o curso, acabei indo para a casa do meu pai e ficando lá por mais um tempo, até as coisas começarem a se resolver”.  

Segundo Buchara, a retirada dos troncos e a limpeza do imóvel foi realizada por pessoas próximas à família. “Um amigo meu se prontificou a chamar algumas pessoas, outro amigo chamou mais gente e fomos até lá em um grupo de mais ou menos 20 pessoas. Tinha um tronco gigantesco que caiu no quarto e, mesmo depois do corte, ficou muito material espalhado dentro da casa. Nós tivemos que tirar os galhos e os pedaços de tronco, fazer toda uma limpeza, colocar lona por cima e retirar os móveis que não tinham sido estragados. Foi um trabalho que exigiu bastante gente, porque a gente não conseguia tirar tudo sozinhos”. 

Segundo o secretário da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), André Moura Brandão os atendimentos são diferentes em cada situação.  “O tempo de atendimento varia conforme o volume de solicitações, a dificuldade e o local da ocorrência. Em situações com múltiplas quedas, a prioridade é dada às principais artérias e vias de grande mobilidade urbana, buscando liberar os locais que apresentam maior impacto na circulação”. 

Serviço

Em caso de queda de árvore:

  • Afaste-se imediatamente do local e não se aproxime da área de risco
  • Defesa Civil: atende 24 horas pelo 199.
  • Corpo de Bombeiros: 193, para situações de urgência, como risco imediato à vida, pessoas feridas ou ocorrências em imóveis.