Mato Grosso do Sul tem 17.234 eleitores autodeclarados indígenas nas eleições de 2026. Cerca de 70% a mais que o registrado nas eleições de 2024, em que o total de eleitores indígenas era de 10.100 pessoas. Mato Grosso do Sul ocupa o 4º lugar entre os estados com maior crescimento do eleitorado indígena no país, com aumento de 7.134 eleitores em 2026.
O crescimento de eleitores indígenas no período foi de 15.400 registros, dos quais 7.134 estão em Mato Grosso do Sul, o equivalente a 46,3% do aumento regional. Guarani Kaiowá e Terena estão entre os grupos indígenas que concentram o maior número de eleitores na região. A Resolução nº 885/2026 do Tribunal Regiona Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) determina a organização dos locais de votação, o apoio logístico e a designação de mesários para atuação como escrutinadores em locais de difícil acesso.
A Resolução nº 23.753 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) modificou as regras de transporte gratuito e possibilidade de transferência temporária para outra seção eleitoral para indígenas, quilombolas e demais povos tradicionais. A resolução estabelece regras que facilitam o acesso desse público aos locais de votação. A principal mudança na resolução é a autorização de transporte intermunicipal.
A organização do transporte é responsabilidade da Justiça Eleitoral, que define os percursos, horários, veículos e motoristas e cria comitês para coordenar a operação. Partidos e candidatos não podem organizar o transporte, que devem ter autorização prévia, identificação e fiscalização da Justiça Eleitoral para evitar o uso do serviço na captação de votos ou no favorecimento de candidaturas. A Justiça Eleitoral requisita veículos particulares e transportes públicos.
Dados estatísticos do TSE mostram que o número de eleitores indígenas em Mato Grosso do Sul cresceu entre as eleições municipais de 2024 e as eleições gerais de 2026. O estado teve o quarto aumento absoluto do país. A Justiça Eleitoral iniciou a coleta de dados dos eleitores autodeclarados em novembro de 2022.
Allan Gabriel, da etnia Terena, afirma que “morava na Aldeia Limão Verde, mas a distância da aldeia para a cidade de Aquidauana dá em torno de 15 a 18 km, aí tínhamos que pegar ônibus para chegar na cidade. Quando era adolescente, via que o transporte de indígenas até os centros urbanos estava associado à compra de votos. Com o passar dos anos, a fiscalização aumentou e a presença de urnas nas comunidades reduziu a necessidade de deslocamento”.
Candidata à deputada federal pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Gleycielli Nonato Guató, da etnia Guató, afirmou que “boa parte das aldeias, pelo menos as aldeias urbanas e aldeias mais próximas das cidades, possuem escolas dentro delas. Algumas escolas e postinhos de saúde. Isso facilita com que o TRE coloque a urna lá e disponibilize para poder ser um local de votação. As comunidades sem local de votação precisam passar por toda uma logística de espaço, de tempo e de condições para poder chegar até a cidade próxima. Isso dificulta o voto”.
Gestora do Memorial da Cultura Indígena Cacique Enir Terena, Maria Bezerra destacou que é importante a representação indígena na vida política do país. “Para a população indígena, principalmente, existe a questão de uma melhor escolha para um representante, principalmente porque existem muitas questões específicas para vocês, principalmente questão de demarcação de terras e tudo mais”.
Mato Grosso do Sul registrou 22 candidatos indígenas nas eleições de 2026. Maria Bezerra afirmou que "a dificuldade de acesso às urnas faz com os povos originários alguns deixem de votar. Nós acabamos sem alguém para olhar por nós. São poucos. Eu mesma, conheço apenas quatro que se candidataram pelo nosso estado que são indígenas”.