As ciclovias e ciclofaixas de Campo Grande têm buracos, trechos sem conexão e sinalização desgastada. A Capital possui 110 quilômetros de malha cicloviária, com interrupções que dificultam a continuidade dos trajetos. Os patinetes elétricos registraram mais de 170 mil viagens desde o início da operação, em julho de 2026.

A Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), publicou, em junho de 2026, Portaria Agetran n. 03 que regulamenta a circulação compartilhada de bicicletas e equipamentos de mobilidade individual nas ciclovias e ciclofaixas de Campo Grande. A circulação dos patinetes ocorre em regiões centrais da Capital, como Parque dos Poderes, Parque Ecológico do Sóter, o Bioparque Pantanal e a Praça do Rádio Clube. Portaria regulamenta que os patinetes devem ser utilizados individualmente por pessoas maiores de 18 anos, com velocidade máxima de 20 km/h, respeito à sinalização de trânsito e prioridade aos pedestres.

Os patinetes elétricos começaram a operar em Campo Grande em caráter experimental, com validade inicial de 180 dias, sob a fiscalização da Agetran. Segundo o gerente de Relações Públicas da JET, Vitor Coelho, o serviço tem mais de 170 mil viagens, 360 mil quilômetros percorridos e cerca de 60 mil usuários cadastrados. A empresa mantém 600 patinetes distribuídos em aproximadamente 340 pontos de estacionamento. "A rede cicloviária destinada a bicicletas inclui agora os patinetes que exigem condições adequadas de pavimento, sinalização e continuidade das vias". 

A doutora em Ciências Ambientais e Sustentabilidade Agropecuária, Rocheli Carnaval ressalta que as características dos patinetes exigem atenção às condições das ciclovias. “Embora as bicicletas e os patinetes possam utilizar a mesma infraestrutura cicloviária, os patinetes apresentam características próprias, como menor diâmetro das rodas, maior sensibilidade às irregularidades do pavimento e o comportamento operacional do usuário é diferente. A infraestrutura, em primeiro lugar, deve ser contínua, conectada, segura, acessível e adequadamente dimensionada, com o pavimento regular, uma boa condição de manutenção”. 

O professor do Ensino Fundamental II João Vitor de Matos utiliza os patinetes elétricos três vezes por semana para se deslocar entre aulas particulares nas residências dos alunos e estabelecimentos comerciais na região central de Campo Grande. Ele destaca que há problemas de conservação na ciclovia da avenida Afonso Pena. “As ciclovias daqui da Afonso Pena têm alguns trechos que estão ok, tem lá próximo da 14 aqueles paralelepípedos, mas em outros, como aqui na frente da Praça do Rádio, a gente tem muitos buracos ali na ciclovia, alguns bem grandes”. 

Matos ressalta problemas na sinalização da ciclovia, a pintura desgastada dificulta a identificação da faixa por motoristas. “Eu diria assim um 6 de 10, porque geralmente está muito apagado, alguns carros nem veem a ciclovia, param em cima”. A gerente de Educação para o Trânsito da Agetran, Andressa Oliveira orienta os usuários a utilizar ciclovias e ciclofaixas e respeitar a sinalização nos cruzamentos. “Lembrando que os usuários devem sempre utilizar a ciclovia ou a ciclofaixa e quando se aproximarem dos cruzamentos de via, eles devem seguir a sinalização e efetuar totalmente a parada antes de cruzar a via, dando sempre preferência e tomando cuidado com os veículos que transitam pela via”. 

Matos destaca que em alguns deslocamentos precisa deixar a calçada e utilizar a rua. “Na Fernando Corrêa mesmo eu desço da calçada e ando pela rua por um trecho, porque o movimento é menor e aí, há essa possibilidade, sem comprometer muito minha segurança também. Em geral, apesar dessas questões de buracos, eu vou sempre com calma, vou mais tranquilo, então acho que eu me sinto seguro sim”. A doutora em Ciências Ambientais e Sustentabilidade Agropecuária, Rocheli Carnaval ressalta que a falta de conexão entre as vias aumenta a exposição dos usuários ao tráfego. “A falta de conexão, ela acaba criando uma rede fragmentada, fazendo com que o usuário precise interromper o seu percurso ou acessar vias com maior exposição ao tráfego motorizado. As vias também devem apresentar sinalização horizontal e vertical, iluminações adequadas, tratamento das interseções e a separação ou a organização dos fluxos em relação aos veículos motorizados e aos pedestres quando isso for necessário”.

Campo Grande possui 110 quilômetros de malha cicloviária. A Prefeitura autorizou, em março de 2026, obras para ampliar a conexão entre diferentes trechos da rede. O projeto prevê mais de 11,4 quilômetros de ciclovias, ciclofaixas e sinalização em regiões como Anhanduizinho, Segredo e Prosa, com intervenções em vias como as ruas Carandá, da Candelária e Antônio Rahe e as avenidas Tamandaré, Euler de Azevedo e Gabriel Spipe Calarge.