O eleitorado feminino representa mais da metade dos eleitores de Mato Grosso do Sul. O número de mulheres aptas a votar passou de 1.047.054, em 2022, para 1.069.380 em 2026. Isso representa um crescimento de 2,1% em relação à eleição anterior.
O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) registrou 148 mulheres na disputa por diferentes cargos, o maior número em 20 anos. A população de Mato Grosso do Sul foi a que mais elegeu mulheres na região Centro-Oeste. O eleitorado feminino voltou a crescer nas eleições de 2022 após apresentar queda em 2018.
O cientista político e professor do curso de História da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Daniel Miranda destaca que as mudanças na legislação, a criação de cotas e a destinação de recursos para campanhas contribuíram para o crescimento da participação feminina na política. “Essa luta é antiga. A Justiça Eleitoral e os movimentos sociais vêm pressionando partidos e instituições para se abrirem mais para a representação feminina. Aos poucos, foi-se construindo uma legislação e mecanismos para aumentar a presença das mulheres na política, como as cotas e, mais recentemente, a destinação de recursos para as campanhas. Tudo isso ajuda a explicar parcialmente esse maior interesse das mulheres na política”.
A Lei Geral das Eleições regulamenta a participação das mulheres nas candidaturas. A Lei regulamenta a reserva de percentual para candidaturas femininas e a destinação de recursos para as campanhas. O artigo 10, § 3º determina o preenchimento efetivo de no mínimo 30% e no máximo 70% das candidaturas para cada gênero.
A estudante do curso de Biomedicina do Centro Universitário da Grande Dourados (Unigran), Giovanna Pereira de Almeida, de 20 anos, afirma que votará pela primeira vez em 2026, considera a participação nas eleições uma forma de exercer o direito de escolher quem vai representá-la. “Participar das eleições, para mim, é exercer o direito de escolher quem vai me representar, especialmente agora que a presença das mulheres aumentou e temos mais opções. Mesmo com esse avanço, acredito que a política ainda não atingiu o equilíbrio esperado. Por isso, espero que o número de mulheres continue crescendo com o passar dos anos”.
A vereadora Luiza Ribeiro (PT) destaca que a representação feminina ocupa uma parcela menor das vagas. “Na Assembleia Legislativa, nós temos 24 vagas, 21 são preenchidas por homens e apenas três por mulheres. Na Câmara Federal, a tendência é a mesma, nós temos mais ou menos 18% de mulheres para representar toda a população feminina do Brasil, que corresponde à maioria do eleitorado. Há um déficit, um descompasso na nossa democracia representativa, porque nós não temos, nos legislativos, a representação da mulher na altura e na dimensão da sua importância”.
O cientista político Daniel Miranda avalia que o aumento do número de mulheres ocorre em diferentes grupos políticos. “Como Mato Grosso do Sul tem uma inclinação mais à direita, é natural que surjam mais lideranças femininas nesse campo. Embora a esquerda seja historicamente associada à igualdade de gênero, isso não significa que as mulheres encontrem mais espaço apenas nesses partidos. Na democracia, cada uma constrói sua própria visão”. Miranda reforça que a presença feminina em cargos políticos fomenta a criação e aprovação de políticas públicas voltadas às mulheres.
As mulheres representam 35,3% dos registros de candidaturas a deputado federal, estadual e distrital no Brasil. O percentual supera em 5,3 pontos percentuais regulamentado em Lei. Segundo Miranda, o número é baixo em relação à presença feminina na população, que é composta por cerca de seis mil mulheres a mais do que homens “Esse aumento ainda está muito longe do esperado e do ideal, que seria a paridade. As mulheres representam a maior parte da população brasileira e mesmo assim vivem à parte”.