Mato Grosso do Sul registrou 329.270 pessoas acima dos 60 em 2019, e 9.684 trabalhavam em empregos formais. A parcela da população idosa em 2024 foi de 391,1 mil e 11.885 estavam inseridas no mercado de trabalho. Campo Grande teve, em 2024, o maior índice de idosos empregados.

O comércio está entre os setores que mais contratam pessoas acima dos 60 anos. O rendimento médio destes trabalhadores, nesta faixa etária, é de R$ 3.812. O serviço público é segundo setor que concentra trabalhadores em atividade após a aposentadoria.

Censo Demográfico de 2022 do IBGE registra que a idade mediana da população do Mato Grosso do Sul aumentou de 28 para 33 anos entre 2010 e 2022. O Censo indica crescimento da parcela de moradores sul-mato-grossenses com 65 anos ou mais de 6,6% para 9,6% no mesmo período. Artigo da economista e pesquisadora Janaína Feijó da equipe técnica do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) registra que um quinto da população em idade para trabalhar no país é composta pelo grupo de idosos. O artigo mostra a taxa de 53,8% dessas pessoas ocupadas na informalidade no mercado nacional em 2024.

Servidora pública do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) , Creuza de Souza (64) pretende se aposentar em dois anos. “Eu trabalho na receita desde 1981. Comecei com 18 anos. Então, tem chão. Já vou fazer 64 agora, e eu me aposentei pela previdência em 2010. Viver da previdência é muito difícil, o salário é muito baixo. Então, se eu tenho ainda condições de continuar trabalhando, vou continuar“.

Comerciante Ivo Martins (60)
Foto: Evelyn Fernandes

O comerciante Ivo Martins (60) destaca que "o trabalho representa muita coisa, porque tudo que eu tenho hoje foi do meu trabalho, do meu suor, da minha profissão que eu aprendi quando eu tinha 13 anos de idade. E o mercado não atualiza a gente, por isso tantas pessoas ficam sem emprego, as empresas tem que nos capacitar“.

O professor do curso de Geografia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Marcelino de Andrade afirma que “as condições de trabalho e o tipo de vínculo profissional influenciam as experiências no mercado de trabalho, que ocorrem entre quem depende diretamente da própria atividade para gerar renda e entre quem possui estabilidade, como por exemplo, de um vínculo com o serviço público. O gênero, a idade, a raça e a origem se relacionam às condições sociais e profissionais de cada indivíduo, e a permanência de cada um no mercado de trabalho é subjetiva”. Andrade destaca que características individuais influenciam as experiências e a permanência de diferentes grupos no mercado de trabalho.

O economista Fábio Nogueira afirma que o comércio e as ocupações qualificadas concentram trabalhadores com 60 anos ou mais. “Funções de vendedor no comércio e em mercados representam 21,73% das ocupações entre trabalhadores com 60 anos ou mais. Os trabalhos qualificados correspondem a 17,17%. A presença de trabalhadores mais velhos ocorre em áreas de alta qualificação, que exigem aposentadoria compulsória aos 75 anos”.

Nogueira ressalta que pessoas idosas contribuem com a renda familiar. “As famílias têm o idoso como uma fonte maior de renda, às vezes, na própria família. Então essa necessidade dele ter mais saúde hoje, que a longevidade aumentou e da necessidade da família, que é a questão econômica, são um dos elementos, uma das variáveis que justifica o mercado de trabalho do idoso hoje”.