A distribuição de material gráfico eleitoral nas comemorações de 7 de Setembro deixou material de propaganda de diversos candidatos espalhadas pelas vias de Campo Grande. A distribuição e o descarte inadequado dos materiais polui e prejudica os comerciantes ambulantes no centro da capital. O acúmulo de planfetos gera reclamações entre comerciantes e trabalhadores que circulam pela região.

A entrega dos folhetos divide opiniões entre quem participa da campanha e quem convive com os resíduos deixados nas ruas durante as ações. O material gráfico eleitoral distribuído aumenta o lixo nas regiões de maior circulação. O uso dos impressos é uma forma de alcançar eleitores que não acompanham as campanhas pelas redes sociais.

O comerciante vendedor de pipoca, Isaque Barbosa trabalha no centro de Campo Grande e acompanha a movimentação das ruas durante a rotina de trabalho. Ele mantém a limpeza do seu local de trabalho na Praça Ary Coelho. “Quando chegamos, varremos o espaço que usamos. Se tiver muito lixo, pega mal”.

Isaque Barbosa destaca a necessidade de manter os espaços públicos limposHyan Martins

O gerente operacional da Solurb, Bruno Velloso Vilela informou em nota que "a equipe de limpeza recolheu uma pequena quantidade de material de campanha e que a quantidade de resíduos diminuiu em comparação com anos anteriores". Vilela, em nota, afirma que a redução do lixo é proporcional com a diminuição do público do desfile. O comerciante Isaque Barbosa destaca que o descarte incorreto desses resíduos interfere no trabalho, sua atividade confunde com o partido político.  “O lixo acumula perto do carrinho e afeta meu trabalho porque eu não tenho partido nenhum. Aqui no meu carrinho não tem política”.

Barbosa considera que a distribuição de material gráfico eleitoral não interfire na escolha de voto. O comerciante afirma que possui os candidatos definidos para as eleições. “Eu já tenho definido os candidatos que eu voto. Independente de entregar material ou não. Quando uma festa acaba, as pessoas não vão embora, elas continuam limpando e organizando. Quanto menos sujeira, menos trabalho”.

Romilda Pizani participa voluntariamente da distribuição de material eleitoral. Monitora as pessoas na rua para recolher o material jogado nas vias. "Existem diversos públicos, inclusive o público que não acessa as redes sociais. Também é pensando nisso, que nós estamos aqui entregando esse material físico”. Romilda Pizani ressalta que a distribuição do material gráfico é o "momento de conversar com o eleitorado sobre as propostas do candidato".

O cientista político e professor do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Daniel Miranda  argumenta que a distribuição desse material gráfico é eficiente quando feita de forma direcionada, como eventos ou diretamente nas caixas de correio dos eleitores. "Jogá-los pelas vias públicas não traz retorno prático para os candidatos. Então, no fundo, os santinhos simplesmente espalhados na rua,  é desperdício de recurso público”.

A comerciante autônoma Sônia Malaquias participa da distribuição de material eleitoral durante a campanha. Ela destaca que a entrega dos folhetos indica às pessoas as opções de candidatos que têm para votar. “As pessoas só têm em mente o presidente, mas o deputado estadual, federal, senador, não tem, por isso é importante fazer essa propaganda”. 

Sônia Malaquias observa que parte dos eleitores descarta os materiais depois de recebê-los. Segundo ela, o descarte se "relaciona com a falta de disposição" para recolher o próprio resíduo. “Tem pessoas que jogam o material na rua, às vezes ele pega e joga fora, deixa lá por preguiça de pegar”.

A Solurb realiza o recolhimento dos resíduos quando há excesso de material eleitoral nas vias públicas. O material permanece temporariamente no pátio da empresa e fica disponível para fiscalização do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS). Os resíduos são encaminhados ao aterro sanitário quando não há solicitação.