O fenômeno El Niño provocou temperaturas acima da média, períodos de baixa umidade e chuvas intensas em Campo Grande durante o mês de setembro. A cidade registrou alagamentos, quedas de árvores, destelhamentos e danos estruturais após episódios de chuva e ventos fortes registradas em diferentes pontos da cidade. Os primeiros registros ocorreram na quinta-feira, dia 10 de setembro.

As condições climáticas registradas em Campo Grande concentram temperaturas elevadas, variação da umidade do ar e chuvas intensas.  A cidade acumulou mais de 102 milímetros de precipitação desde o início das chuvas, quase 40% acima da média histórica de setembro. A Prefeitura de Campo Grande contabilizou 725 ocorrências às chuvas, com 654 solicitações para quedas de árvores ou galhos e 202 notificações relativas a queda de telhas de amianto, obstrução de vias e fios energizados expostos na região central da Capital. 

A coordenadora do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec MS), Valesca Fernandes destaca que durante o El Niño, as chuvas aumentam, com ocorrências de períodos de seca. "É importante destacar que isso não significa chuva regular durante todo o período. Setembro ainda é um mês de transição entre a estação seca e a chuvosa, portanto, podem ocorrer períodos secos intercalados com episódios de chuvas mais intensas".

Primeira Notícia UFMS · Valesca Fernandes - Coordenadora do CEMTEC /MS, explica como o El Ninõ pode contribuir para o aumento da temperatura

Valesca Fernandes ressalta que os riscos à saúde da população de Campo Grande aumentam com o final do inverno e o início da primavera. "Os principais riscos são as ondas de calor e temperaturas acima da média, períodos de baixa umidade relativa do ar, principalmente no início da primavera, estresse térmico e impactos sobre a saúde da população, aumento do risco de incêndios durante os períodos secos, chuvas intensas em curto período, tempestades que podem vir acompanhadas de raios, rajadas de vento e eventual queda de granizo e possibilidade de alagamentos". 

Os agentes da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) acompanham os impactos do fenômeno por meio da Vigilância em Saúde e do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS). Problemas respiratórios, desidratação, insolação, intoxicação por fumaça, arboviroses e doenças diarreicas estão entre os efeitos monitorados pelo órgão. A Sesau mantém planos de contingência para períodos de seca, incêndios e chuvas fortes.

A superintendente da Superintendência de Vigilância em Saúde, Veruska Lahdo afirma que o município organiza ações para reduzir os impactos sobre a população. “A Secretaria Municipal de Saúde está atenta, vem organizando toda a questão dos seus insumos, medicamentos, para que a gente realmente não tenha falta desses materiais e que a gente possa conseguir atender toda a população nesse período mais crítico”.

A Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil atende ocorrências com a combinação entre calor, baixa umidade, ventos e chuvas fortes. O 1º tenente do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, Max Sousa Tosta ressalta que o cenário característico do El Niño provoca incêndios e alagamentos. "Nós vamos ter as altas temperaturas e vamos ter a variação na umidade. Então, a gente pode ter aqui tanto tempo seco de estiagem e aí com isso aumentar as ocorrências de incêndio e vegetação, como também chuvas fortes, provocando alagamento, provocando riscos de queda de árvore, com a ventania, prejuízos à estrutura e dano público e até vítimas”.

Primeira Notícia UFMS · Max Sousa - 1° Tenente do Corpo de Bombeiros Militar de MS, comenta sobre os fatores que aumentam o risco de incêndios florestais.

Os impactos das condições climáticas afetam diretamente a população de Campo Grande. O repórter cinematográfico José Aparecido da Silva teve o carro atingido por um galho durante o temporal do dia 10 de setembro. “Eu desabei na hora, deixei o carro ali totalmente inteiro, sem problema nenhum, e do nada um galho de uma árvore que estava do lado oposto da rua onde o meu carro estava estacionado caiu, atravessou a rua todinha e acabou atingindo o meu carro”.

A Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil instrui a população a manter a hidratação, evitar exposição ao sol nos horários de maior intensidade dos raios ultravioleta e redobrar os cuidados com crianças e idosos durante os períodos de calor intenso. Situações de ventania exigem que as pessoas procurem lugares fechados, mantenham distância de árvores e postes e evitem ruas e terrenos alagados. A população deve acionar o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul pelo telefone 193, serviço destinado ao atendimento de situações de emergência, como ocorrências provocadas por ventos fortes e alagamentos.