CRISE POLÍTICA

População ocupa Avenida Afonso Pena em manifestação contra o Governo Federal

Manifestantes se reuniram, no centro de Campo Grande, para reivindicar mais vacinas, a revogação da Emenda Constitucional 95, contra à PEC 32/20 e em protesto contra o governo federal

Clara Farias, Maria Eduarda Boin e Raissa Quinhonez19/06/2021 - 19h00
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População,  estudantes, trabalhadores, artistas e ciclistas ocuparam a avenida Afonso Pena na manhã do último dia 19 de junho para protestar contra a gestão do atual presidente da República,  Jair Bolsonaro. O ato se concentrou na Praça do Rádio Clube às 10h00 e seguiu por cerca de um quilometro em passeata pelo centro da cidade. Os manifestantes fizeram paradas em frente ao Banco do Brasil e ao prédio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para realizar discursos sobre a privatização e a precarização dos serviços públicos. 

O grupo de artistas e ciclistas se concentraram em frente ao relógio da Avenida Calógeras e seguiram em passeata até a Praça do Rádio Clube. A Polícia Militar acompanhou a manifestação e fechou as ruas para a segurança da população. Entre as principais pautas do movimento estava o pedido por mais vacinas, a volta do auxílio emergencial e a revogação da Emenda Constitucional 95. Os manifestantes são contrários também à  PEC 32/20, da Reforma Administrativa, que interfere  na establidade dos servidores públicos e diminui o oferecimento de concursos públicos.

Para o advogado e representante dos Advogados pela Democracia, Mario Fonseca, o movimento bolsonarista cresceu nos últimos anos.  Segundo Fonseca, os partidos de esquerda precisam se unir em uma frente ampla. “O bolsonarismo é um projeto de poder que atende aos interesses das elites. É um movimento que veio com o Bolsonaro por meio do negacionismo. Quantos mortos nós vamos contar até 2022? Que país nós vamos ter?”

A estudante do curso de Pedagogia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Agnes Viana relata que a participação da comunidade acadêmica é importante em movimentos como esse. A estudante explica que em 2019 os estudantes fizeram protestos contra os cortes de verbas destinadas a educação. “A derrubada do Presidente é pauta nossa enquanto movimento estudantil. Nós precisamos contrapor essa política de desmonte dos nossos direitos conquistados por muitas lutas. Por isso, nós precisamos urgentemente tirar o Bolsonaro da presidência do país para retomar nossos direitos que estão sendo retirados.”

Primeira Notícia · Agnes Viana explica a principal pauta da manifestação
Cavalaria fechou as ruas para a segurança dos manifestantesCavalaria fechou as ruas para a segurança dos manifestantes | crédito: Clara Farias

O ciclista Pedro Garcia, membro do coletivo Bicinosplanos, relata que participou do ato contra o governo pela reforma no Código Brasileiro de Trânsito (CBT), no qual a renovação da Carteira de Motorista passou a ser realizada a cada 10 anos, e aumentou o número de infrações permitidas aos motoristas antes de ter o documento suspenso. “Esse afrouxamento do CBT resulta em maus condutores. Esse mau condutor pode vir a me atropelar quando eu estiver pedalando.” 

A enfermeira e presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e Institutos Federais de Ensino de Mato Grosso do Sul (Sista - MS), Cleodete Gomes ressaltou que a PEC 32 /20 ataca diretamente os servidores públicos. “A população ataca os servidores públicos, mas foram eles que nos salvaram nesta pandemia. Quem está na linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS) e os institutos de pesquisa. O próprio IBGE está sofrendo um desmonte e falta de investimentos.” 

Primeira Notícia · Enfermeira Cleodete Gomes explica os prejuízos da Emenda Constitucional n.95
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