Os carroceiros de Campo Grande trabalham com mais segurança com a regulamentação da atividade e da circulação de veículos de tração animal nas vias públicas. A lei foi sancionada no dia 12 de maio de 2014 pelo prefeito da Capital, Gilmar Olarte (PP).
Para concretizar a regulamentação, foi preciso quase um ano de discussões. A primeira audiência pública aconteceu em 27 de junho de 2013, quando o Fórum Nicho e Cidadania procurou a Comissão do Meio Ambiente da Prefeitura de Campo Grande para tratar do problema. Depois desse encontro, outros debates foram realizados até a sessão ordinária da Câmara de Vereadores, em 8 de abril de 2014, que aprovou o projeto.
A atividade dos carroceiros na capital ficou proibida por mais de quatro anos.O vereador e presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara de Campo Grande, Eduardo Romero (PTdoB), lembra como a atividade foi proibida. “No ano de 2009, Campo Grande teve sérios problemas de dengue e leishmaniose. Por essa razão, a vigilância sanitária do município proibiu a atividade dos carroceiros, por considerar que a mesma pudesse agravar ainda mais as epidemias dessas doenças.”
De acordo com Romero, o projeto que regulamentou a atividade dos carroceiros prevê seis pontos fundamentais. “O projeto tem o objetivo de promover a saúde e bem-estar do animal, de reconhecer a atividade dos carroceiros, de gerar renda para os carroceiros, de proporcionar um trânsito seguro para o veículo de tração animal, de desenvolver parcerias para que o poder executivo cuide de todas essas obrigações e a geração de uma linha de microcrédito para que o carroceiro mude de profissão ou utilize a carroça de uma maneira diferente.”
Romero explica ainda que a intenção do projeto não é regulamentar e colocar limites na prática da profissão. O vereador inclusive sugere que o veículo de tração animal seja substituído. “A intenção é que os carroceiros substituam o equino por um veículo de tração mecânica, conhecido como cavalo de lata.”
O presidente da União dos Trabalhadores em Carroça de Mato Grosso do Sul, Eclevilson Pereira Silveira, 57, não vê como vantajosa a substituição do veículo de tração animal por um veículo de tração mecânica. “Para nós carroceiros, o cavalo de lata é inviável, pois deveremos arcar com despesas e regulamento de trânsito.”
De acordo com Silveira, a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), colocou limites para o tráfego de equinos na cidade. “Foi instituído pela Agetran o limite urbano que o animal pode circular. O cavalo não pode, por exemplo, transitar pelas ruas do centro. Nós carroceiros reconhecemos essa precaução, pois o animal é irracional e desconhece os perigos do trânsito.”
Silveira explica ainda que na profissão de carroceiro as técnicas são aprendidas ao longo do tempo. “As pessoas pensam que é fácil conduzir uma carroça, mas não é. O carroceiro deve transitar pelas vias da cidade corretamente e saber algumas técnicas, como por exemplo, desviar e ultrapassar um veículo e realizar uma curva.
Segundo Silveira, A União dos Trabalhadores de Carroças do Mato Grosso do Sul tem atualmente 367 associados, número que corresponde apenas a um quinto da estimativa de 2.000 carroceiros existentes na capital.






